quinta-feira, outubro 21, 2021
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Mais pessoas se declaram Pretos ou Pardos para terem acesso a educação e emprego no Brasil

 O fortalecimento da política de cotas para acesso a educação e emprego na última década foi um fator decisivo para o aumento no número de brasileiros que se declaram pardos e para a confirmação do crescimento dos que se dizem pretos, na avaliação de pesquisadores que observaram os resultados do Censo 2010. Confirmando tendência apontada pelas últimas pesquisas domiciliares (Pnads), a soma de pardos e pretos chegou a 50,7% da população total e os brancos deixaram de ser maioria.

No período 1991-2000, a proporção de pretos subiu depois de várias décadas de queda, mas a de brancos também aumentou, enquanto a de pardos diminuiu. Já o Censo 2010 apontou aumento na população parda de 38,45% para 43,13% do total de habitantes e preta de 6,21% para 7,61%. O porcentual de brancos caiu de 53,74% para 47,73%. A população indígena se manteve em apenas 0,43%.

Muitos especialistas sustentam que a maioria branca historicamente registrada nos Censos se devia aos pardos que se declaravam brancos. Nos anos 1990, houve um forte movimento de afirmação da população preta. Provavelmente, muitos brasileiros que antes se declaravam pardos passaram a se declarar pretos, mas um grande número ainda continuou a se declarar branco. Na década passada, pretos e pardos passaram de 75,8 milhões para 96,7 milhões (aumento de 27,6%), enquanto o número absoluto de brancos teve ligeira queda, passando de 91,298 milhões para 91,051 milhões (menos 0,27%). O aumento da população brasileira na década foi de 12,3%.

“Quando você é pardo, pode circular em qualquer cor, dependendo do seu objetivo. As políticas de ação afirmativa levaram muitas pessoas que podiam eventualmente se declarar brancas a se declarar pardas ou negras, porque nessas políticas o não branco é favorecido. O maior número de pessoas que se assumem como negras ou pardas em função das políticas afirmativas aponta para o arrefecimento do próprio racismo”, diz o historiador Manolo Florentino, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, especialista no estudo da escravidão. O pesquisador lembra que mestiços descendentes de indígenas e brancos também costumam se declarar pardos.

Em números absolutos, chama atenção a população parda de Santa Catarina, que mais que dobrou entre 2000 e 2010, passando de 376,7 mil para 775,5 mil. Também no Rio Grande do Sul (e 762 mil para 1,1 milhão) e no Paraná (de 1,7 milhão para 2,6 milhões) houve aumentos significativos. Segundo Manolo Florentino, os pardos catarinenses têm origem indígena, mais que negra, e também podem ter deixado de se declarar brancos em função da política de cotas. “Em Santa Catarina, a presença de escravos foi quase nula. Já no Rio Grande do Sul, houve uma presença maior”, diz o historiador.

Luciana Nunes Leal – O Estado de S. Paulo
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