quarta-feira, junho 9, 2021
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Judiciário de Mineiros: 70 anos de comarca/140 de TJGO

Após Sombra dos Quilombos (1974), tendo como temática quilombos e seus remanescentes em Goiás, o Cedro como um deles em Mineiros, no Sudoeste, percebi que precisava diversificar e ampliar o assunto, assim aparecendo Mineiros: memória cultural (1980), nos 10 anos memorizando a Academia Mineirense de Letras e Artes; Traços da História de Mineiros (1984), a sair em 2ª edição revista e atualizada;  Racismo à Brasileira: raízes históricas, já em 4ª edição nacional; Parque das Emas: última pátrias do cerrado (1991), ora em 3ª edição, também focalizando a história “mineirense”; Retrospectiva histórica de Mineiros, aniversários (1998), onde programa de aniversário da cidade vira história; Quilombos do Brasil Central: violência e resistência escrava (2003), sem perder o foco mineirense; Escrito nos jornais: tempo de aprendizagem (2005), com vários ângulos em pano de fundo da terra, sonhando ser autóctone;  Mineiros: terra e povo, ensaio histórico-antropológico, inédito, com o padre e filósofo Josias Dias da Costa, apostila em sala de aula; enfim, Uma pausa para a coluna passar (2012), tendo como foco a passagem da Coluna Prestes em Goiás, particularmente no Sudoeste e em especial na  sua relação com Mineiros.
martiniano

Apesar destes estudos, em maior parte abordando historiografia  “local”, quem sabe porque a história não é somente biografia da espécie humana, testemunha do passado, êmula do tempo ou tribunal do mundo, continuo querendo concebê-la e  conhecê-la de forma  mais plural e reflexiva, percebendo que no caso “mineirense”, pouco importando a área do conhecimento, há muitos  “vazios” a serem preenchidos,  sendo um  deles o do Poder Judiciário, cuja história, em Goiás e outros brasis, vem sendo preterida e esquecida, devendo ser por isso, certamente, que continua embolorada no silêncio dos arquivos, como acontecia em Mineiros, antes do livro acima epigrafado, a ser publicado em setembro do ano em curso em Mineiros/Sudoeste, Goiânia e  Brasil afora.

Sei que nos mais de cinco mil municípios do país não é diferente. O resgate da história, em particular  do Poder Judiciário, tem base numa antiga omissão nacional, um verdadeiro tabu ou presa fácil da forma como foi concebido o País e estruturado o próprio Poder Judiciário, fortemente burocratizados e induvidosamente elitizados, fato bem visível  no rebuscamento  de sua  linguagem técnica de  difícil compreensão, sem esquecer  a excessiva burocracia de sua operacionalidade, afugentando a  maioria da população brasileira da Instituição que, de tão fina-flor entre os Poderes, chegou a deixar a impressão de ser inatingível. De tão grã-finas e eruditas, suas autoridades teriam sido forjadas para viver longe da sociedade. Como tem sido difícil esta aproximação num Judiciário lento, de alta complexidade e difícil compreensão na sociedade!  Acredito ser por isso que continua distante, não raro seus recentes e valiosos avanços, destacados por magistrados notáveis e representantes do Ministério Público que vem fazendo a diferença, propondo cumprir o seu papel constitucional básico. De todo modo, não tem podido ouvir e atender aos reais clamores do povo.

Acredito ser denunciando os anacronismos da história, visando erradicar seus equívocos, que escrevi, dentre outros, o livro “Judiciário de Mineiros: 70 anos de Comarca/140 do TJGO”, resultado de  intensa pesquisa e minuciosa reflexão.  Como disse, Mineiros precisa preencher seus muitos “vazios” culturais, que não são somente no  Judiciário, agora  com sua história contada, ninguém pode imaginar como, devendo aguardar o lançamento do livro, dividido em dez partes, uma delas o intrigante Movimento dos “Sem-Fórum”, além de cuidadosa  introdução, narrando um pouco da história do Judiciário Goiano ainda pouco conhecida. O intuito foi resgatá-la de modo mais completo possível. Sou curioso, querendo saber das coisas, com sede e muita fome de conhecimento, sobretudo para escrever história, pensando criar consciência crítica na sociedade. Há um porém, contudo: o medo que  tenho de escrever apenas livro da classe dos muito comuns, apelidados “da hora”, diferentes, portanto, dos de “todos os tempos”, de que fala John Ruskin (1819-1900), em Sésamo e Lírios.

Para ver mais artigos do Dr. Martiniano, clique aqui.

(Martiniano J. Silva, advogado, escritor, membro do Movimento Negro Unificado (MNU), da Academia Goiana de Letras e Mineirense de Letras e Artes, IHGGO, UBEGO, mestre em história social pela UFG, professor universitário, articulista do DM – martinianojsilva@yahoo.com.br)

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