Três mananciais poéticos de Mineiros

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Obviamente, os mananciais da sublime poesia escrita, falada ou declamada em Mineiros, não se restringem a três, havendo outros, antigos e de hoje em dia, lembrando, à guisa de ilustrar, o nome de Consuelo Rezende, cuja poesia, interessante, merece artigo que ainda farei publicar; Fernando Brandão, o mais persistente jornalista do lugar; Toninho Gomes que, além de reconhecido ator, se destaca como poeta; dentre outros, de quem também, nas minhas limitações intelectuais, pretendo escrever e opinar.

martiniano

Divido esses mananciais em duas categorias: os institucionais, de ordem pública ou privada, que fomentam e estimulam o sagrado ofício poético e cultural em sala de aula ou qualquer ambiente fechado; o segundo, são pessoas que, predestinadas por algum desígnio que talvez nem o maior crítico literário do mundo, Harold Bloom, consiga explicar. Sem omitir o mérito de outras escolas da urbe mineirense, considero o Educandário Nascentes do Araguaia – ENA – o principal manancial poético, de âmbito privado de Mineiros, dirigido pelas professoras Maria Luiza Carvalho Luciano e Ana Lúcia Carvalho Silva, sob a coordenação pedagógica do Profº Maurosan; sem esquecer a dedicação e o empenho dos incansáveis professores.

Notem que são 30 anos de planejamento, organização, persistência, poder de superação e pleno funcionamento na cidade e região, realizando anualmente, sem falhar um ano se quer, o concurso de Declamação Poética para mais de 700 alunos, dos primeiros anos do ensino fundamental ao médio. Acompanhei esse périplo em belas noites de poesia falada e declamada, incluindo comovente música, na presença dos pais, amigos das crianças, mesa de jurados, recitando versos rigorosamente escolhidos, de Vinícius de Morais, Olavo Bilac, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Leonardo Oliveira, Rosa Clemente, Pedro Bandeira, dentre outros.

O assunto chamou-me maior atenção, quando assisti, emocionado, a minha neta de seis anos, Ana Júlia com a colega Ana Clara, declamarem a poesia “Meu Filho, Minha Criança”, ornamentando com doçura os versos de Sanmanth Gonçalves: “Presente para toda vida, nunca mais solidão! Anjinho abençoado, pureza de coração. Linda joia rara, razão do meu viver. Quero viver repetindo: Eu amo amar você!” Justificando poder receber seu primeiro diploma de honra ao mérito, certamente antevendo uma futurosa filosofia de vida, fundada na educação.

Os outros dois, são os vigorosos poetas, José de Souza Machado e Marta Brandão, filhos de Mineiros. O primeiro, de saudosa memória, mais conhecido como “Padre Zezé”, árduo ofício aqui exercido por vários anos. Pedagogo, querido professor em nossas escolas, sobretudo no Colégio Estadual “José de Assis”, onde tem Biblioteca em seu nome. Ativo membro da Academia Mineirense de Letras e Artes, poesias publicadas em jornais e livros, formação acadêmica e eclesiástica superior, em Olinda, Recife, Pernambuco. Talvez pressentindo a morte, no sofrimento de uma doença incurável, evocando e recordando seu passado indelével, escreveu o belo poema Suspiro, que fez parte do VI Concurso Kelps de Poesia Falada em 2007, parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo de Mineiros, publicado pela Editora Kelps, de Goiânia, mostrando porque Pe. Zezé, é um manancial poético merecedor de recordações, vale lembrar alguns versos:

“O tempo passa dobrando a esquina, da velha rua rumo ao cemitério,

levando amigos pro jazigo etéreo, deixando n’alma o vazio da sina.

Cadê o Eudóxio na sua escolinha, o Dom Matias na sua igreja,

o Doutor Neves com sua peleja, no seu cartório, cadê a Chiquinha?

Cadê o cerrado de gabirobais, de croadinha, de caju, mangaba,

Mama-cadela, pitanga, ananás? Cadê o queixada, veado campeiro,

Maldito tempo levou tudo embora, amigos, campos, frutos e animais,

Deixando n’alma somente seus ais, pra este poeta que não canta, chora!”

Marta Brandão, manancial por méritos, pedagoga, professora universitária, singular animadora cultural, jornalista literária, membro do Conselho Superior da FIMES, onde é Secretária Geral, Presidente da Academia Mineirense de Letras e Artes, Assessora da Secretaria da Cultura e Turismo, verbete no Dicionário do Escritor Goiano, do reconhecido José mendonça Teles, autora do livro “Entre Linhas” -Poemas, Kelps (2006), dentre outros publicados em jornais e falados em emissoras de rádio, sem esquecer o valioso ensaio literário: “A Luz do Coma”, contando suas peripécias no mais triste e sombrio dos sofrimentos passados na sua vida de mulher talentosa e guerreira, aguardando publicação; História de Mineiros para Crianças, referencial historiográfico importante, seguidas vezes objeto de palestras e ação museológica, também esperando publicação. Reafirmando seu talento, transcrevo parte do poema “Tmpo”, do livro citado:

“Quem é o tempo se não o senhor de nossos dias?

Com o tempo cresce o sentimento ou uma paixão esfria.

Vai-se um amor, outro chega sem avisar,

desconsidera-se o dissabor, nem sabe o que é amar.

O tempo não conta o tempo, nem respeita as lembranças,

é andarilho desatento, companheiro da esperança.”

Com os dados expostos, versos e livros meus conhecidos, dedicação e humildade intelectual incomum, percebo o quanto é difícil e o porquê a autora epigrafada merece o ambicionado status de manancial da produção poética do lugar, assunto da preferência e estima dos maiores escritores e pensadores do mundo, como Leon Tolstoi de “Guerra e Paz” e o filósofo Friedrich Nietzsche, de “Ecce Homo” (Eis o Homem).

Para ver mais artigos do Dr. Martiniano, clique aqui.

(Martiniano J. Silva, advogado, escritor, membro do Movimento Negro Unificado (MNU), da Academia Goiana de Letras, IHGGO, UBEGO, mestre em história social pela UFG, professor universitário, articulista do DM – martinianojsilva@yahoo.com.br)

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