O Coordenador Pedagógico e o Paradigma da Indisciplina Escolar

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 Autor: Paulo Marcos Ferreira Andrade* 

RESUMO:

É importante definir o papel do coordenado pedagógico frente ao desafio de superação da indisciplina escolar.Posto que trabalhar com a superação de conflitos dentro do ambiente escolar, construindo um espaço democrático e de todos, que propicie os conflitos positivos e o exercício da cidadania.

PALAVRAS CHAVES:

coordenador,indisciplina,violência

Os dias atuais nos mostra cada vez mais o desenvolvimento de uma cultura de indisciplina e violência na escola. Isso tem incomodado os gestores educacionais dado ao crescente número de casos de violência que ocorrem no interior das instituições de ensino. De acordo com os estudiosos, a indisciplina e a violência têm afetado o aspecto qualitativo da educação infanto-juvenil. Se vermos a disciplina a partir do ponto de vista de comportamentos regidos por um conjunto de normas, a indisciplina poderá se traduzir como a revolta contra estas normas ou o desconhecimento delas. No primeiro caso, a indisciplina traduz-se por uma forma de desobediência insolente; no segundo, pelo caos dos comportamentos, pela desorganização das relações existentes no ambiente escolar.

De acordo com FREITAS (2009), a indisciplina pode surgir como alternativa para o “insucesso” escolar, isso não se dá somente por causa de notas insuficientes nas disciplinas , mas também pelo valor que o estudante a atribui.

Segundo REBELO (2002)

“o que mais contribui para a indisciplina na escola são a prática e a resistência docente, posto que toda ação tenha uma reação, além do currículo, a não participação dos pais na vida dos filhos, sendo essa a questão mais grave, e a falta de prioridade dos políticos com a educação.

  • Já no que diz respeito à violência  é  CHAUÍ (1985) quem oferece um conceito  bastante abrangente:

Entendemos por violência uma realização determinada das relações de forças, tanto em termos de classes sociais, quanto em termos interpessoais. Em lugar de tomarmos a violência como violação e transgressão de normas, regras e leis, preferimos considerá-la sob dois outros ângulos. Em primeiro lugar, como conversão de uma diferença e de uma assimetria numa relação hierárquica de desigualdade, com fins de dominação, de exploração e opressão. Isto é, a conversão dos diferentes em desiguais e a desigualdade em relação entre superior e inferior. Em segundo lugar, como a ação que trata um ser humano não como sujeito, mas como coisa. Esta se caracteriza pela inércia, pela passividade e pelo silêncio de modo que, quando a atividade e a fala de outrem são impedidas ou anuladas, há violência. (CHAUÍ, 1985, p. 35).

Contudo devemos considerar que a indisciplina e a violência também se constituem em um fator social. Pois nos dias atuais se percebe uma cultura negativa que se desenvolve na sociedade e que influencia a maneira de pensar e agir dos jovens e adolescentes. A violência na sociedade está ligada diretamente ao estimulo e ratificação de atos violentos como algo “natural”. O individualismo, consumismo e competição intensa, entre outros, criaram um padrão de relacionamento entre as pessoas que coloca em xeque, por exemplo, características como a cordialidade e a solidariedade e respeito mutuo. É comum vermos o jovens se cumprimentarem com palavrões e ou apelidos pejorativos, sendo isto aceito como característica natural pela família que a célula onde se desenvolve os pilares da relação humana. Estamos em uma sociedade que valoriza “o forte”, “o vitorioso” e “o competitivo” o “agressivo”.

Percebo que a escola fica entre dois grandes rios influentes dessas relações, a família que exerce papel preponderante na criação de valores e a sociedade que é onde esses valores devem ser colocados em prática. Em grande maioria a própria escola não tem conseguido se alinhar com promotora da vivência de valores e participante da construção da identidade do sujeito, nem como ponto de confluência dos dois grades rios. Penso que isso se dá ao fato de a mesma estar fundada em princípios ultrapassados, de futuro profissional, mercada de trabalho e outros, deixando de ser a escola que motiva os sonhos para se a escola que das metas e dos números. E isso tem feito da escola uma célula sem ligações, posto que perde o sentido, uma vez que sociedade se transformou, a família se transformou, e a escola continua a mesma, seletista.

Segundo Vasconcellos a indisciplina na escola muitas das vezes se faz pela falta de sentido que a própria escola tem na construção significativa e na forma que conduz esse processo:

A escola, esta crise se manifesta de muitas formas, mas com certeza uma das mais difíceis de enfrentar é a absoluta falta de sentido para o estudo por parte dos alunos. A pergunta “estudar para quê”, nos parece, nunca esteve tão forte na cabeça dos alunos como agora. A famosa resposta dada por séculos, estudar para ser alguém na vida”, chega a provocar risos nos alunos, ante a clara constatação de inúmeras pessoas formadas, porém desempregadas ou muito mal-remuneradas. (VASCONCELLOS, p231)

Percebo também em muitas instituições o desinteresse apresentado pelos professores que por sua vez é tido como um dos principais fatores causadores da indisciplina e as suas origens seria exteriores ao ambiente escolar, atribuídas a fatores socioeconômicos e a insuficiência das políticas governamentais. É claro que o professor tem uma atitude mais camuflada no que diz respeito a violência . É comum vermos professores que enchem o quadro negro de matéria para exercer o controle da sala, deixando de trabalhar os centros de interesses. Acho que isso também é uma forma de violência, sem contar os gritos e as atitudes tiranas de alguns que na maioria das vezes não permitem nem mesmo que os alunos se manifestem.

Em conta partida à postura dos professores, o aluno tenta se impor sua presença com atitudes de indisciplina.  Assim a indisciplina se torna  uma faca de dois gumes existente dentro das instituições escolares.

  • Entendo que o trabalho do coordenador pedagógico tem um papel determinante na superação das questões em foco. Dentre as atitudes do coordenador na busca de superação  podemos destacar as seguintes

Dialogar com os professores no intuito de os mesmos respeitarem os alunos e vice versa, assim cria-se uma relação de respeito mútuo em toda a comunidade escolar o que contribuirá para uma também para vivencias de valores e harmonia das diferenças. Pois segundo VASCONCELLOS:

Ter respeito para com os alunos é uma das necessidades da postura de um educador consciente. Deve também exigir respeito dos alunos para com os colegas e para consigo. O professor não pode exigir que o aluno goste dele ou dos colegas, mas o respeito ele pode exigir.  No caso de ser desrespeitado, restabelecer os limites (não entrar no círculo vicioso do desrespeito) (VASCONCELLOS, 2004, p. 93).

Trabalhar com a superação de conflitos dentro do ambiente escolar, construindo um espaço democrático e de todos, que propicie os conflitos positivos e o exercício da cidadania. Enfrentar um conflito é para os alunos, uma oportunidade de trocar pontos de vista, de argumentar, de propor soluções, de dialogar, de procurar uma solução em comum e construir a autonomia de cada um.  “Se o professor resolve o conflito em vez de deixar que as crianças o resolvam, está impedindo que elas se construam como pessoas e aprendam”. (PARRAY-DAYAN, 2008, p.93).

Uma outra atitude e pensar cada aluno com seu próprio problema. Cada pessoa é um ser diferente, que tem atitudes diferentes, e por isso requer uma dinâmica diferente. Não adianta aplicar a mesma metodologia para resolver o problema de todos, assim dialogar, estabelecer regras e combinado ainda se constituem a melhor opção. Como afirma Vasconcellos (2004):

Os alunos que apresentam problemas de disciplina precisam de uma ação educativa apropriada: aproximação, diálogo, investigação das causas, estabelecimento das causas, estabelecimento de contratos, abertura de possibilidades de integração no grupo, etc. e no limite, se for preciso, a sanção por reciprocidade, qual seja uma sanção que tenha a ver com o comportamento que está tendo (p.116).

Trazer a família para dentro da escola faz com que a mesma se sinta compromissada com o processo escolar. Família e escola devem ser aliadas para a promoção do individuo e não para choques e conflitos. Há momentos que para superar uma problemática com determinado aluno deve-se trabalhar com a família toda, do contrário a escola faz e a família desmancha.

Muitas vezes, a escola espera genericamente que a família “ajude” ou “não atrapalhe”. Isto não é suficiente. A escola precisa intervir no trabalho de formação e conscientização dos pais. Devemos esclarecer aos pais a concepção de disciplina da escola, de forma a minimizar a distância entre a disciplina domiciliar e escolar. Diante de toda crise, as famílias estão desorientadas. Muitos educadores argumentam que não seria tarefa da escola este trabalho com as famílias. De fato, só que concretamente se não fizermos algo já, enquanto lutamos por mudanças mais estruturais, nosso trabalho com as crianças ficará muito mais difícil (VASCONCELLOS, 2004, p.79).

 Existem vária formas de o coordenador contribuir com a superação da indisciplina e da violência no ambiente escolar, porém o segredo do sucesso é:  nuca fazer  nada sozinho; dialogar na mesma medida com professores e aluno, envolver a família e ser o mais humano possível.

*Paulo Marcos Ferreira Andrade, nascido em 08/10/1976 em Arenápolis estado do Mato Grosso, Licenciado em pedagogia pela Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT, pós- graduando em Gestão e coordenação escolar Pela Universidade Federal – UFMT, atualmente é coodenador pedagógico da Escola municipal “Raimunda Arnaldo de Almeida Leão, no Município de Barra do Bugres- MT.

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5 COMENTÁRIOS

  1. Estava procurando algo para ajudar-me a concluir meu artigo sobre Violência em Sala de Aula, tenho certeza que após uma boa leitura, este seu irá ajudar-me bastante. Agora preciso ler.
    Outro momento conversaremos e quem sabe postarei o meu para você comentar.
    Esqueci: sou professora, formada em Pedagogia com especialização em Supervisão e Orientação Escolar e estou terminando a Pós-graduaçao em Coordenação Pedagógica, pela Universidade Federal do Amazonas.
    Boa Noite!

  2. Ole1 Marcelo, boa tarde. Parabe9ns pelo texto.Me recordo que qudano criane7a, eu era chamado de 4 olho, aleme3o (meu irme3o era o aleme3ozinho), no futebol ente3o, eu era sempre o faltimo a ser escolhido (acho que por isso virei goleiro), fora as brincadeiras, perna de pau, etc. Concordo com o seu texto, apenas gostaria de acrescentar que, quanto a influeancia da personalidade, no meu caso, hoje vejo que houve um lado positivo, pois acabei utilizando essas ofensas , esse bullyng , para mostrar que eu era bom sim, em alguma coisa, procurava, diria, me aperfeie7oar na fraqueza, ou ente3o, como seu texto abordou, acaba mudando de amigos e ate9, je1 passei por momentos em que ne3o queria ir a escola.Mas isso tambe9m passa e, no meu caso, repito, no meu caso, como eu gostaria de hoje rever todos os autores do chamado bullyng .Sem ressentimentos.Abrae7oZara

  3. Amei ter lido o texto,e tbémos outros a respeito da indisciplina nas escolas, os possiveis passos a serem seguidos pra que ela melhore e as várias causas me foram muito úteis ,porque iniciarei um projeto na escola onde eu atuo baseando-me nestes textos e tentando colocar meus companheiros de trabalho todos envolvidos…

  4. parabéns ao blog, ainda digo, que era preciso dois coordenadores: um para dá suporte ao professor e gestão e o outro para trabalhar com os estudantes, se dedicar a eles. mas infelizmente em algumas escola eles tem que fazer os dois papeis, nem sempre são executado como deveria ser. obrigada.

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