Banho de Bacia

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Na roça, ninguém tinha o costume de tomar banho todos os dias. No máximo, se lavava o rosto, os braços e as pernas até na altura do joelho; que era o limite onde conseguíamos arregaçar a calça.

No verão era comum tomarmos banho de bica ou de rio, mas no inverno nem pensar! Toda família tinha uma enorme bacia de folha de zinco, que servia a todos, como uma banheira. A nossa ficava perto do fogão de lenha, num quartinho reservado.osvaldopiccinin

Entre meus irmãos, ninguém queria ser o primeiro, principalmente quando fazia frio. Era “um tal” de vai você primeiro que não tinha fim. Só mesmo quando nossa mãe dava a voz de comando é que a fila andava.

Um enorme caldeirão de alumínio era colocado ao fogão para ferver  água, e nossa mãe, pacientemente, ia temperando a água quente com a fria, e checando a temperatura, com cuidado, até ficar no ponto.

Quando achava que estava no jeito, nos dizia: – experimente, acho que está boa. Era um pé atrás do outro, até nos sentarmos por completo naquela deliciosa água morna!

Enquanto preparava o jantar no nosso charmoso fogão, ela nos ordenava várias vezes: – lave as orelhas, lave o pescoço, tire o encardido dos pés.

O banho tinha que ser rápido, porque os irmãos aguardavam na fila. Usávamos sabão de cinzas – caipira – bucha vegetal ou caco de tijolo para tirar o encardido dos pés.

Após o banho, vinha a enxugada no corpo, coisa que eu detestava que ela fizesse. A impressão que eu tinha é que, nossa mãe, também não tinha muita paciência em realizar esta tarefa, pois as vezes exagerava na pressão da toalha em nosso franzino corpo.

Se ela percebesse que estávamos demorando muito no banho, a bronca era certa; isso quando não, já meio sem paciência, acabava de nos dar o banho. A ordem era: – feche os olhos moleque, senão entrará sabão! E como ardia, este tal de sabão de cinzas, feito com soda cáustica, pinhão manso, cinzas e barrigada de porco!

Os pés da molecada eram “cascorentos” de tanto andar descalços, pisando na lama ou na poeira vermelha. Dizíamos que se pisássemos num prego este entortaria tamanho era o cascão nas solas dos pés.

Meu primeiro banho de chuveiro foi aos doze anos, quando em visita à casa de minha noninha.Claro que achei maravilhoso, e também fiquei maravilhado ao saber que a agua era esquentada através das serpentinas situadas entre as brasas do fogão á lenha.

Confesso que nosso banho de bacia tinha um quê de romantismo, principalmente quando tomado sob a luz de uma lamparina a querosene!

E VIVA O BANHO DE BACIA!

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Osvaldo Piccinin, engenheiro agrônomo, formado pela USP-Esalq, em 1973. Natural de Ibaté, é empresário e agricultor e mora em Campo Grande/MS, colunista do site Mineiros.com, email: osvaldo.piccinin@agroamazonia.com.br.
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