A violência nas Escolas

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Izabel Sadalla Grispino *
A violência é a escalada do mal que vem atingindo crianças e escolas. Nossos dias são marcados por ela. Raciocinamos sobre suas causas e seus remédios, questionamos os fatores que desencadeiam situações de conflito. É unânime em se colocar, em primeiro plano, o uso das drogas, seguido da exclusão social, desemprego, fome, ausência dos pais e, em relação à escola, uma certa inabilidade dos professores para lidar com o problema.

marginalização acaba levando as pessoas a procurarem as drogas e, através delas, a escorregar-se para a violência. As crianças crescem em meio ao mundo das drogas. Os pais ausentes, sem nada em casa para comer, à busca de alimento, elas acabam caindo nas armadilhas do traficante. Às vezes, fazem mesmo com a conivência da família. O que a criança ganha numa semana, o pai não consegue ganhar num mês, e assim se vai num crescendo, num círculo vicioso.

Mas, a violência, que era marca da periferia, já chegou à classe média. Nas escolas, estima-se que 15% dos estudantes usam ou já usaram algum entorpecente. A droga, nesse caso, começa na infância e dentro da própria escola. Primeiro a criança ganha, depois passa a comprar. As campanhas antidrogas não estão surtindo o efeito desejado, o consumo das drogas, por estudantes, continua a crescer.

A violência, entretanto, não é fruto da escola, não se origina nela. A escola trabalha com o efeito, as causas lhe são externas. A violência nasce nos becos das favelas, nas ruelas escuras da periferia, na urbanização desenfreada, desordenada. Ela nasce da miséria, do desajuste familiar, da ausência de educação. A violência é fruto de um conjunto de fatores socioculturais, por isso, a escola sozinha não tem como resolver o problema. É necessário uma ação de todas as instituições, ações multidisciplinares e interdisciplinares envolvendo escola, família, igreja, judiciário, polícia…

 

A escola, como instituição formadora, tem a função de conscientizar para os malefícios da droga. Sua contribuição é de caráter ético, moral, educacional. Ela não pode ser mais um espaço fechado, feudal. Precisa estar constantemente se revendo, entendendo que pertence à comunidade. Não tem mais razão de ser a escola vertical, presa a uma hierarquia arcaica, de tomada de decisões de cima para baixo. Faz-se necessário a criação da escola horizontalizada, das decisões conjuntas, dos trabalhos integrados e entrosados às universidades, para que possa melhorar sua atuação, ter mais competência.

Já foi a época da escola soberana, auto-suficiente, voltada estritamente para o seu circuito interno, preocupada, tão-somente, com a transmissão do conhecimento. Ultrapassar os muros, abrir diálogo, firmar parcerias com a comunidade, interferir na realidade social, é hoje parte importante de sua atuação.

A escola precisa investir na educação politizada, fazer o aluno refletir sobre deveres e direitos, fazer dele um cidadão ético, dar-lhe armas participativas. – Vivemos numa democracia representativa porque não sabemos participar. Precisa educar para a vida, para o amor, para o lazer, para a compreensão. O aluno agindo, analisando, interferindo, mais que absorvendo conteúdo. Conteúdo é conseqüência e pode ser adquirido por outros meios.

Um dos caminhos da escola, para combater a violência, apontado por especialistas,  é  ela se tornar prazerosa, significativa, promover, dentro dela, através do esporte, da cultura, da arte, a integração, erguer na solidariedade o grande pilar. Manifestações culturais em sala de aula – teatro, dança, música, poesia – mostram a outra face da vida, o seu lado espiritual, seu encantamento, e acaba por afastar a obsessão do consumismo. O aluno vai percebendo que o mais importante é o ser, o ter vem depois.

A escola deve munir-se de biblioteca, de um centro esportivo-cultural de lazer. Apegamo-nos à TV, à internet, ao celular, e o contato humano onde fica? A escola pública, no combate à violência, deve utilizar-se, com afinco, das prerrogativas educacionais, das armas afetivas, morais e psicológicas. Ela tem, apenas, elementares mecanismos de proteção, falta de inspetores nos corredores, de segurança nas portas, de câmaras internas, que são mecanismos importantes, mas, não tão fundamentais.

As grandes armas estão na administração de conteúdos significativos, que abranjam a realidade social, a realidade do aluno, em currículo contextualizado, na criação de momentos de lazer, de descontração; pautar-se pelo diálogo, pelo contato humano, pela inserção da família, dos pais em seus projetos pedagógicos. A escola do presente troca idéias, experiências, busca na ajuda, no amor, a reversão de uma situação, que atinge as raias do limite.

A paz da árdua viagem da vida adulta depende da mão que guia a criança e o jovem no dia de hoje.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em novembro/2001)
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